The Oldhunters, o DLC revelador e purista do incrível exclusivo para PS4, Bloodborne, nos dá exatamente aquilo o que queremos: mais.
Quando digo mais, não me limito apenas ao desafio, à jogabilidade e/ou à diversão garantida, mas também mais clareza em relação ao rico universo criado pelo produto principal – ainda mais no que se diz respeito ao enredo.
O game foi construído em camadas tão bem sobrepostas que provavelmente em qualquer direção que se ande uma nova história pode (e vai) surgir, e é exatamente a partir disso que Old Hunters trata: das possibilidades dentro daquele universo.
Oferecendo o encontro com mais dos seres decadentes e corrompidos pelos horrores do “elixir”, o DLC nos coloca de frente com um pequeno exército de antigos caçadores, espalhados pelo intrincado mecanismo, e em sua grande maioria presos às suas funções e seus destinos: o extermínio – e isso não é, como já sabemos, tão simples quanto parece.
Embora assumamos o papel de um/a caçador/a como protagonista, não significa que ele/a seja o/a herói/na em relação aos contextos morais tradicionais. Se você não deveria entrar no mundo de Bloodborne com noções maniqueístas, bem, deve abandoná-las completamente a partir de então.
Com mais criaturas, um arsenal variado (incluindo novas modalidades de armas), possíveis caçadores aliados (alguns baseados na imagética dos extremo e próximo orientes), embora não haja uma fórmula nova ou a transformação em algo um pouco fora da curva, o jogo continua exatamente como tem de ser: aos amantes do nicho – tanto por sua dificuldade, quanto por seu tempo de complexão (e entendimento).
Dois dos principais destaques trazidos trazem à tona uma das principais referências do jogo, o horror cósmico, psicológico e sombrio do escritor estadunidense H. P. Lovecraft (que já banhava de sangue maldito o conteúdo original de Bloodborne). Em Old Hunters, a cada nova área e criatura, é possível ver cada vez mais marcas e até mesmo easter eggs à obra do autor, como criaturas híbridas aquáticas que são a representação (adaptada) dos monstros de Innsmouth, do (enorme) conto Sombra sobre Innsmouth. Outras muitas bestas e símbolos de sua mitologia são referenciadas (e até trazidas de volta do jogo inicial), como Dagon e uma representação sutil da divindade do caos, Azathoth.
Além disso, a segunda grande referência carrega não só a influência de Lovecraft, mas o que parece ser uma bonita homenagem ao mecanismo das torres presentes nos mais memoráveis Final Fantasy, e corresponde justamente à nova (e incrível) área do game, a Torre do Relógio Astral.
Finalmente, a grande sacada que o enredo nos apresenta é o de conhecer o que aconteceu com os grandes heróis (e vilões) do passado, que ficaram marcados por seus feitos inesquecíveis; e traz espaço para provar que quão mais sagrado o homem, maior será a sua queda.
Embora não seja exatamente uma extensão significativa no que se diz respeito a inovação ou distintas possibilidades, Old Hunters é exatamente aquilo que o/a fã de Bloodborne quer: mais.
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