Atualmente, a sociedade tem encarado cada vez mais problemas psicológicos, devido a uma série de fatores. Segundo dados da UNA-SUS, entre 3% e 6% da população mundial sofrem com o Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade, popularmente conhecido como TDAH.
Pensando nisso, a Akili Interactive desenvolveu um jogo que ajuda no tratamento de pacientes diagnosticados com esse transtorno, o “EndeavorRX”. Ele conseguiu o feito de ser o primeiro game a receber autorização da FDA, órgão equivalente à Anvisa nos Estados Unidos, para ser prescrito para o tratamento de crianças.
Indicado para pacientes entre 8 e 12 anos, se trata de um jogo de corrida e coleta de itens, que seria inicialmente lançado para iPhone e iPad, onde o jogador pode andar por cenários coloridos, interagindo com criaturas de cada universo por onde passa.
A ideia principal é treinar a criança com TDAH a melhorar a sua capacidade de assumir diferentes tipos de tarefas, e ignorar todas as distrações que estão à sua volta, ou, no caso, o personagem que ela escolheu durante a partida.
O nível de dificuldade é aumentado gradativamente, graças a um algoritmo que mede a performance de cada jogador e realiza esse ajuste de em tempo real. Desta forma, também incentiva a competitividade das crianças e, de certa maneira, acaba tornando o game mais interessante.
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O jogo é baseado em um estudo de 7 anos, que acompanhou mais de 600 voluntários que verificaram se ele realmente poderia fazer alguma diferença no tratamento de TDAH, e os resultados foram surpreendentes.
Cerca de um terço das crianças não apresentou sintomas depois de jogar 25 minutos todos os dias, pelo menos 5 vezes por semana, durante um período aproximado de 4 semanas, o que é considerado bem pouco.
Mas, como todo cuidado é pouco, quando o psicólogo prescreve esse tratamento, é enviado um link de ativação diretamente para os pais, e assim, eles autorizam seus filhos a iniciarem o tratamento com o jogo.
De acordo com pais de crianças que participaram da pesquisa, até mesmo o desempenho escolar delas aumentou de forma considerável, depois que elas passaram a jogar conforme foi prescrito.
Entretanto, nem tudo são flores. Segundo pesquisadores, liderados pelo Dr. Scott Kollins, psiquiatra do centro médico da Universidade de Duke, na Carolina do Norte, existe uma série de limitações, principalmente na escolha direcionada dos pacientes com graus específicos de TDAH.
Isso porque, caso o acompanhamento também não seja feito com medicamentos tradicionais, pode ser que não tenha um efeito tão rápido quanto apontam os pesquisadores.
Entretanto, seus efeitos em longo prazo são inegáveis, contanto que haja um certo cuidado por parte dos pais em seguir as recomendações dos médicos e psicólogo que acompanham a criança e somente tomar decisões com respaldo dos profissionais formados na área.
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