Lançado em 1971 no álbum Carlos, Erasmo, “É Preciso Dar Um Jeito, Meu Amigo” é uma colaboração marcante entre Roberto Carlos e Erasmo Carlos. Essa música, que muitos têm interpretado como um comentário político, é um testemunho da parceria artística que transformou a música brasileira.
A recente inclusão da canção na trilha sonora de “Ainda Estou Aqui” (2024), do diretor Walter Salles, reacendeu debates, não só sobre a relação dos dois artistas, mas também sobre o suposto alinhamento político de Roberto Carlos durante o regime militar. Vamos explorar esses pontos com base em fatos concretos.
A parceria em “É Preciso Dar Um Jeito, Meu Amigo”
A música foi gravada como parte do álbum Carlos, Erasmo (1971), considerado pela crítica e público, um dos mais sofisticados do “Tremendão”, produzido sob arranjos de Chiquinho de Moraes e Arthur Verocai. Esse disco marcou uma evolução na carreira de Erasmo, estreando sob o selo Philips e incluindo grandes clássicos.
Segundo a biografia de Erasmo, “É Preciso Dar Um Jeito” foi composta em parceria com Roberto Carlos, sendo que boa parte da letra foi escrita por Roberto. Ela reflete uma preocupação com o momento histórico e a necessidade de ação e mudança, ainda que de maneira metafórica e distante de um discurso político digamos assim, mais explícito!
Roberto Carlos e a ditadura militar
Durante o regime militar, Roberto Carlos optou por se “manter neutro” em termos de política. Essa escolha foi estratégica, permitindo que ele preservasse sua liberdade artística em um período de forte censura.
Ao contrário do que alguns podem pensar, não há registros que associem Roberto como apoiador ativo do regime. Na verdade, muitas de suas canções trazem mensagens de amor e solidariedade que se distanciam de qualquer ideologia repressiva.
Inclusive, a música que bombava na época em que se passa o filme, o pior período da ditadura, o AI-5, era “Jesus Cristo”. A canção foi lançada em 1971, como terceiro single do álbum Roberto Carlos.
Ele fez shows em celebrações do regime, chegou a receber a Medalha do Pacificador, honraria concedida a militares ou civis que de alguma forma contribuíam com o Exército etc. Mais tarde, a medalha ficou famosa por homenagear os torturadores do regime.
Apesar de suas músicas não falarem do regime nem bem nem mal, o historiador Carlos Fico, um dos maiores especialistas sobre ditadura militar do País, disse num artigo da revista Época, que o cantor manteve uma postura apolítica e que isso era conveniente para o regime.
“O perfil do Roberto Carlos era avaliado como positivo pelo regime. Se os militares conseguissem colar sua imagem à de um grande ídolo popular como ele, que ainda por cima não criticava a ditadura, seria interessante para eles. Mas isso não chega a constituir um apoio ou conivência. Houve ingenuidade política”.
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Walter Salles e a escolha da música no filme
A inclusão de “É Preciso Dar Um Jeito” na trilha de “Ainda Estou Aqui” (2024) reforça a universalidade da mensagem da música. O filme, dirigido por Walter Salles, utiliza a canção para criar um paralelo entre a necessidade de mudança e os desafios emocionais enfrentados pelos personagens.
“É Preciso Dar Um Jeito, Meu Amigo” é um marco da colaboração entre Roberto e Erasmo Carlos, transcendo polêmicas recentes para se firmar como uma obra atemporal.
Tinha 12 anos na época,minha irmã mais velha era super fã de Roberto,suas músicas não saiam da vitrola e acontece que nunca ouvi essa música antes do filme,minhas irmãs ouviam rádio o dia inteiro e nunca ouvi essa musica,até agora não entendi como essa música foi lançada,ou foi proibida de tocar em qualquer rádio ou lugar publico,muito estranho para uma dupla que até hoje falam de política
Muito estranho mesmo,se esta música não foi censurada,prq não tocavam nas rádios?