Eu amo filmes que se passam na fase mais conturbada da vida. Não que as outras não sejam, né? Mas a adolescência é um momento bem doido, por vezes estranho e frustrante. A intensidade é tanta, que qualquer coisa parece que o mundo vai acabar.
Em “Confissões de Uma Garota Excluída”, dirigido por Bruno Garotti (Cinderela Pop), e adaptado do livro de Thalita Rebouças “Confissões de Uma Garota Excluída, Mal-Amada e (Um Pouco) Dramática”, nós vamos acompanhar a história de Tetê (Klara Castanho), uma adolescente de 16 anos que sofre dos mesmos problemas que muitos adolescentes dessa geração. A falta de popularidade na escola, a sensação de não pertencer a lugar nenhum, o isolamento como forma de proteção e relacionamentos tão conturbados quanto a vida financeira de seus pais, são alguns pontos apresentados no longa.
Dando continuidade na trajetória dela, quando seus pais, desempregados, precisam se mudar da Barra da Tijuca para a casa dos avós em Copacabana, a adolescente é obrigada a recomeçar em outro colégio. Nessa nova jornada, ela vai tentar de tudo para não sofrer bullying novamente e, quem sabe, fazer amigos e ter uma vida social. As populares Valentina (Júlia Gomes) e Laís (Fernanda Concon) não vão facilitar, mas os igualmente excluídos Davi (Gabriel Lima) e Zeca (Marcus Bessa) podem se tornar aliados e, inclusive, ajudar a abrir caminho para os crushes.
A dinâmica da direção e o carisma de Tetê tornam o filme gostosinho demais. É aquele tipo de longa que a gente assiste pra relaxar e até mesmo relembrar um pouco de como éramos quando estávamos na mesma fase. Apesar de quem nasceu nos anos 80 e 90 não teve que se preocupar com as redes sociais e nem com tanta exposição, é fácil se identificar com a maioria das coisas apresentadas em tela.
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Thalita Rebouças sabe muito bem dialogar com essa geração. É um universo diferente, mas que não tem nenhum bicho de sete cabeças. Os valores, a moda, os costumes e relacionamentos são todos diferentes, mas lá no fundo a essência é a mesma. É muito difícil um filme desse tipo não cair nas graças do clichê ou da robotização brega da vida adolescente atual de achar que tem que ter a influencer digital que recebe todos os mimos e tem milhões de seguidores, do menino popularzinho da escola que é marrento, preconceituoso e antipático. Thalita e Bruno não deixaram isso acontecer e ainda bem!
“Confissões de Uma Garota Excluída” mostra essas camadas com mais leveza e foca em problemas comuns que adolescentes como a Tetê passam todos os dias. Ou seja, o primeiro passo pra conversar com a geração atual é se mostrar genuíno e isso o filme fez muito bem. Quem assistir vai perceber que tem verdade em cada cena, e que pode até rolar algo plástico e artificial em um momento ou outro, mas afinal estamos falando de ficção, né? No geral, é um filme redondinho e bem bacana de ver num domingão de tarde sem ter nada pra fazer.
Pra quem curtiu “Confissões de Uma Garota Excluída” assim como eu, recomendo aqui outro filme que é na mesma pegada, mas que mostram adolescente de uma geração anterior. Chama “As Melhores Coisas do Mundo” (2010) e tem direção de Laís Bodanzky (Bicho de Sete Cabeças) e pode ser assistido no Globoplay.
“Confissões de Uma Garota Excluída” está disponível para assistir na Netflix.
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