Após longos anos sem assistir animes fui surpreendido por um vasto mundo de títulos na Netflix. E olha que eu pensava que esse gênero não podia trazer boas surpresas dentro do serviço. Estava com saudade de um clima “Yu Yu Hakusho” com boas piadas e pancadaria. A Netflix recomendou uma de suas produções originais chamada “Kengan Ashura” que funciona perfeitamente para os amantes do gênero Shounen.
Baseado no homônimo mangá criado por Yabako Sandrovich e com arte de Daromeon, “Kengan Ashura” traz o foco para um torneio cheio de lutadores que exploram um o lado sádico e sanguinário das lutas de rua em um ambiente fechado e sigiloso. A pancadaria rola solta, sem muitas firulas e com uma boa história de seus personagens.

Desde dos tempos mais primórdios, grandes corporações de empresas decidem negócios bilionários por meio de lutas secretas. Pra que existir o diálogo se podemos resolver tudo um soco, né? O vencedor do torneio poderá fazer negócios aonde quiser e ter um lucro ainda maior. Cada presidente dessas organizações tem um lutador para representar sua empresa no Torneio Kengan de Aniquilação.
O velho pacato e atrapalhado Kazuo Yamashita que sempre foi um funcionário nada promissor, recebe uma oportunidade após ser promovido e deve representar a empresa como um novo presidente, ao seu lado está o lutador curioso, suspeito e cheio de marra Ohma Tokita. Ele ama lutar e tem um estilo de combate fantástico, a vontade de ganhar uma luta é escondida atrás de suas verdadeiras motivações.
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Ao que possa parecer uma trama simples e nada complexa, esse Shounen (gênero voltado para o público masculino com foque em lutas). Porém, essa premissa funciona apenas para termos boas porradas, sua narrativa crescer ao abordar desenvolvimento e no carisma de cada personagem, especialmente o background com estilos de lutas reais e suas motivações para participar do torneio.
A primeira parte tem 12 episódios e o único erro é um corte brusco e sem uma boa finalização. Enquanto os episódios se desenvolvem, podemos ter bons momentos de luta, narrativa e conteúdo. Essas lutas nunca demoram para acontecer e servem para trazer o conteúdo da construção de cada lutador. Esse ritmo dinâmico e com boas explicações de cada estilo e de cada golpe executado, o desenrolar da narrativa fica menos cansativo e mais admirador.

O protagonista Ohma Tokita não tem o estereótipo de herói, bobão e superpoderoso, ele tem habilidades mas não é o cara bonzinho como conhecemos em outros títulos. As motivações em suas falas demonstram uma pessoa louca, sádica, lunática e que está disposta a tudo para vencer. Seus olhares demonstram uma loucura interna que está disposta a despertar em cada luta.
A primeira vista, o design 3D do traço pode afastar algumas pessoas, por mais que o estilo não seja tão visto, aqui ele funciona perfeitamente para as lutas e golpes. A fluidez dos movimentos e os ossos quebrados impactam qualquer olhares, alinhado com muito sangue e brutalidade, impossível não se empolgar com o final de cada combate.
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A melhor experiência que tive foi assistir ao anime. A dublagem tem vozes conhecidas, o estúdio responsável conseguiu perfeitamente conectar piadas com memes, gírias e palavrões. Não à toa que a faixa etária se mantém nos 18 anos, esse cuidado traz um brilho para o carisma que os personagens podem a oferecer.
“Kengan Ashura” não é um dos melhores animes atuais, mas seu carisma e entretenimento está nos seus personagens e construção. Foi bom sentir uma essência em torneios monumentais e atrativos como “Yu Yu Kakusho” sabia fazer em sua história. No decorrer toda essa primeira parte, você vai desejar por mais porrada e mais desafios.
“Kengan Ashura” está disponível no catálogo da Netflix.
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