Era quase manhã. Esperei ansiosamente a noite toda para que algo aterrorizante passasse por aqui. Qualquer coisa mesmo! Seja o Lobo Mau desfiando a Chapeuzinho Vermelho, um Freddy Krueger aterrorizando meus priminhos ou, sei lá, uma gorda de calcinha bege rebolando. Mas não apareceu nada...
No alto deste cume, só o vento no cume bate. Cerca de sete horas aqui sentado com esta garrafa de vinho vagabundo, agora já vazia, crente de que comemoraria minha Sexta-feira 13 descentemente. Bato os olhos nos ponteiros do relógio e essa merda marca 5:48. Pois é, perdi mais uma madrugada em claro à toa. Nada é mesmo igual aos velhos anos.
Decido partir, afinal ainda é sexta e tenho de trabalhar. Levanto-me rapidamente e sinto uma leve tontura justamente por isso. Tanto tempo ali sentado e o que aconteceu de mais assustador foi uma maldita tontura. Deixo cair o agasalho enquanto vejo o mundo girando. Concentro-me. Confiro o relógio novamente: 5:48. Além de tudo, as horas não passam. Por um instante esqueço do agasalho na grama, viro-me para o além e reparo em cada pedaço do horizonte como se havia perdido uma agulha no palheiro; ainda esperançoso em encontrar algo. Desisto logo depois. Agacho, pego o agasalho cor-de-barro e sigo rumo ao lar.



















































